Fevereiro me lembra carnaval. Carnaval me lembra bagunça e gente bêbada. Ou seja, terei que ser bem criativa nos próximos quatro dias para fazer o tempo passar depressa. Difícil. Sim, eu ODEIO carnaval. Podem me chamar de cafona, chata, velha, o que for. O fato é que, pra mim, o carnaval perdeu completamente o sentido. Mas nem sempre foi assim. Houve uma época - eu ainda era uma criança feliz - em que eu adorava o dito cujo. Me lembro perfeitamente da minha mãe me chamando no quarto para eu colocar a fantasia, que geralmente era a roupa que eu tinha usado na apresentação de balé do ano anterior - eu fazia balé. Já fui fada, odalisca, marinheira e Minnie. Era tão gostoso. A roupa sempre vinha embalada numa sacola plástica preta com cheiro de bala. Eu colocava sapatilhas e minha mãe passava batom com purpurina na minha boca. Era a maior festa. Saía correndo do quarto pra mostrar minha produção ao meu pai. Tirava fotos, filmava e depois íamos para o "Iate Clube de Marataízes". Saltitante e serelepe. No clube tocava marchinhas de carnaval, as pessoas jogavam confetes pro alto e depois tinha o desfile para escolher a melhor fantasia - eu desfilei uma vez, não me lembro de ter vencido. E lá nós ficávamos até anoitecer. No outro dia, de tarde também, eu corria para pegar um bom lugar no 'muro do Praia Hotel' e ver de perto as chamadas "unidas" - um monte de homem vestido de mulher - sempre ao som das famosas marchinhas.Mas hoje...hoje as coisas mudaram. Não existe mais carnaval no Iate. Os confetes deram lugar pra aquela espuma chata que arde o olho. E as músicas? Das marchinhas para os funks e axés. E é exatamente disso que eu não gosto. Não gosto do que o carnaval se transformou.
Carros de som, um em cada esquina e cada um tocando uma música de estilo diferente. As pessoas usam esses quatro dias pra beber e ficar fazendo cena no meio da rua - sim, fica um monte de bobo em volta do carro de som.
Eu não sou preconceituosa e não julgo quem gosta desse tipo de coisa. Cada um sabe o que faz. Mas, se olharmos o carnaval como ele era antes - aquelas brincadeiras saudáveis, musiquinhas que simbolizavam a época e crianças felizes pelas ruas com suas fantasias - podemos notar que, agora, carnaval é sinônimo de bagunça, confusão e bebedeira.
Serão os quatro dias mais longos da minha vida.
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