
A verdade é que eu tô com medo. Morrendo de medo. Exatamente igual àquelas crianças que tem medo do monstro do armário. E o medo é tanto que eu preferiria estar andando num avião ou passeando pelas ruas de madrugada sozinha, coisas que eu, realmente, tenho muito medo.
Não sei como isso pode acontecer justamente comigo. Sempre fui tão desligada, tão 'deixa rolar'. E agora isso! Minha garganta está travada, meu coração vive aos pulos, minha cabeça não pára um segundo sequer, minha barriga dói e o pior de tudo, eu sempre penso no pior. Nos por quês, no talvez, no 'nunca será'.
Nunca gostei muito de idealizar. De programar. Na verdade, a maioria das coisas na minha vida acontecem por acaso, do nada. Mas agora eu me pego imaginando coisas, me perguntando se um dia isso irá acontecer. E toda vez que penso nisso - sempre! - sinto um frio horroroso no estômago. Uma vontade tremenda de me enfiar no quarto e nunca mais sair de lá. Tenho estado distante. Ocupada demais com meus devaneios e, quase sempre, em relação a mesma coisa.
Eu confesso que quero que isso aconteça. Torço pra dar certo, mas - sempre esse 'mas' - eu tô com medo e não me perguntem o 'por quê?'.
Talvez eu tenha mesmo medo de me entregar e me arrepender. Não sei, me distrair e acabar esquecendo das vezes que quebrei minha linda carinha. De dar errado. De não ser nada daquilo que eu estou pensando. De pensar demais. Talvez eu não queira estragar tudo que eu já conquistei até agora. Voltar a passar noites acordada. Esperar ligações que nunca vem. Palavras que não vou ouvir e a estabilidade que tanto preciso. Correr risco é bom, mas e se o risco de dar errado for de 99.9%? O que eu faço?
São tantas perguntas. É tanta confusão aqui dentro e o tempo correndo. Voando. Não tenho uma resposta. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão plausível. Eu quero mas não quero. Quero que dê certo, mas não quero pagar pra ver. Finjo que não estou nem aí, mas a verdade é que eu estou mais 'aí' do que deveria estar. É por isso que tenho medo.
Afinal de contas, quem sofre as consequências depois sou EU. Somente eu. Sejam elas boas ou ruins. E, definitivamente, tenho medo de arriscar. :/
P.S: "Aprendi a amar menos, o que foi uma pena. E aprendi a ser mais cínica com a vida, o que também foi uma pena, mas necessário. Viver pra sempre tão boba e perdida teria sido fatal." (Caio Fernando Abreu).