segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu tenho pressa.

Não sou daquele tipo de pessoa paciente. Não gosto nem nunca gostei de esperar. Não consigo esperar o esmalte secar quando faço a unha. Detesto esperar o pão de queijo assar. A coca-cola gelar. Me irrito esperando minha mãe me buscar, até porque ela sempre diz que 'está chegando' sendo que nem saiu do lugar ainda. Não gosto de esperar meu salário no mês seguinte. Esperar uma roupa ficar pronta na costureira. Fico impaciente quando quero ver um filme e passa um milhão e meio de 'traillers'. Esperar chegar o final de semana é uma tortura pra mim.
Enfim, não gosto de esperar e ponto final. Sou imediatista. Minhas mãos coçam e meus pés deixam transparecer o quão ansiosa estou. Mesmo que eu sempre deixe bem claro que 'o tempo é o melhor dos remédios', esperar esse tal tempo passar, pra mim, é um verdadeiro martírio. Não quero dar 'tempo ao tempo'. Não quero esperar pra ver o que o destino - sempre ele - tem a me oferecer.
"Calma Flávia, seja paciente. Se for pra acontecer, vai acontecer". Nossa, se você tiver amor à vida JAMAIS me diga uma coisa dessas. MeuDeus. Que coisa mais irritante querer algo e ter que esperar pra ver se um dia ele virá.
Não fui feita pra ser uma boa moça paciente. Ainda que a experiência tenha me mostrado que a melhor forma de superar algo seja deixar o tempo passar, eu nunca engoli muito bem isso. Esperar esfria. Distancia. Faz com que as coisas caiam no esquecimento. Pra mim, não há nada melhor do que deixar acontecer na hora que se quer. Tem mais calor. Faz mais sentido. Não gosto de ficar protelando a felicidade. O êxtase. As boas sensações.
Talvez eu tenha mesmo cansado da minha vida 'solitária'. Não vou negar que sinto falta daquele abraço apertado depois de um dia cansativo. De pés esquentando os meus quando sinto frio. De músicas que fazem sentido. De dias ensolarados que ficam ainda mais bonitos quando temos alguém com quem compartilhar. Sinto falta de ficar horas a fio no telefone falando besteiras e enrolando na hora de desligar. Até de brigas sem motivos eu sinto saudades. De gritar. Perder as estribeiras e logo depois, pedir desculpas com aquela voz trêmula e rir do que se passou.
Pra quem quer saber, eu estou muito bem, obrigada. Não vou ser menos feliz por me encontrar sozinha, no momento. Mas chega uma hora que cansa. Ainda mais em se tratando de mim, que canso das coisas com uma facilidade espantosa. Minha independência já foi conquistada e isso ninguém tira de mim. Agora só falta a companhia. A boa e velha companhia. :)

P.S: "Eu sofro de mimfobia. Tenho medo de mim mesmo. Mas me enfrento todo dia." ( Millor Fernandes). O que há de se fazer, né?

sábado, 29 de maio de 2010

Quando tudo se resume num 'talvez'.

Imagine só: 'você se machuca. Se machuca feio. Um corte tão profundo que quase dá pra ver do outro lado. Desesperada, faz um curativo para estancar o sangue e espera cicatrizar. Passado algum tempinho, o sangue parou de jorrar e você, pensando ser esperta, tira a proteção e segue com a vida normal. Faz coisas como se estivesse 100% bem e força bastante a área machucada. Depois de muito tempo de esforço e negligência com o tal machucado, o sangue volta a escorrer e a dor, a aumentar. Você não se curou. Estava errada. Você precisaria ter tido cuidados especiais, ter levado alguns pontos, ter pedido ajuda. Mas não. Foi orgulhosa o bastante ao pensar que poderia se cuidar sozinha.'
A metáfora foi, em resumo, para dizer que nem sempre estamos certos quando achamos que um sentimento foi superado. Sim, o machucado representa o sentimento e a gabiarra feita para curá-lo, o modo como você se livra dele.
Talvez eu tenha sido negligente.Talvez eu não tenha sido tão esperta assim. Talvez todo o esforço tenha sido em vão. Talvez não exista ódio e sim, algum tipo de ressentimento ou decepção. Talvez eu ainda sinta aquela falta de ar com a surpresa da sua aparição. Talvez meu coração dispare. Talvez, minhas tentativas de me afastar, não passaram de uma gambiarra muito mal feita que foi só 'mexer no machucado' para eu me dar conta do quão errada eu estava. Talvez você ainda mexa comigo. Talvez só você me entenda. Talvez eu ainda acredite em destino e que tudo dá certo no final. Talvez você seja meu segredo mais bem guardado, daqueles que não falamos nem em voz alta pra gente mesmo ouvir. Talvez o que você sinta por mim seja muito mais do que demonstra. Talvez eu tenha medo de ouvir como foi que sua vida seguiu sem mim. Talvez eu ainda vá dormir pensando em você. Talvez eu realmente queira acreditar nas coisas que você me diz. Talvez eu queira me arriscar. Sim, talvez eu queira te sacudir só pra você perceber o quanto precisa de mim ao seu lado.
De nada disso eu tenho certeza, mas uma coisa eu sei...a velha frase, finalmente, fez sentido. Aquela em que 'eu sou você e você sou eu'.

P.S: a um tempo atrás, vi uma frase que me marcou bastante. Não sei descrevê-la com exatidão, mas vou registrar aqui o trecho que faz sentido juntamente com o texto acima. "Me diga quem foi a pessoa que você mais perdoou na vida, que eu te digo que foi justamente a pessoa que você mais amou." (P. Fábio de Melo)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando eu estou normal.

Segunda-feira eu tirei os pontos da pequena cirurgia que fiz no olho. Deu tudo certo e blábláblá. Pode parecer uma bobagem eu contar isso, mas é que teve um 'ponto' interessante nessa ocasião. Enquanto eu estava deitada na maca esperando pelo médico - lindo! - vir retirar aquelas 'trancinhas' na minha vista, minha mãe, que estava sentava coçando meus pés gelados, virou pra mim e disse: 'você não gosta de ninguém'. Eu parei, pensei e respondi: 'sim, eu não gosto de ninguém, só de você'.
Brincadeiras à parte, aquela constatação da minha mãe é verdadeira. No momento, eu não gosto de ninguém. Gostar dá trabalho. A gente fica pensando na pessoa 25 horas por dia. Fica triste quando o cidadão não telefona, não manda mensagem, não passa na sua casa pra te dar um mísero abraço. Gostar requer muita paciência. Compreensão. Carinho. Chamego. Coisas que eu, sinceramente, não estou afim de dar/fazer por ninguém. Pelo menos não agora.
Quando estamos envolvidos com uma pessoa, nosso cérebro sai de cena e dá espaço para um órgão que NÃO foi feito para PENSAR. O coração. Estamos redondamente enganados ao pensar que o 'coração manda' em alguma coisa. Sim sim. O coração não foi feito pra pensar, para nos dar ordens. Ele foi feito para pulsar e, em alguns casos, guardar pessoas queridas. Mas quando amamos, obrigamos o coitado do coração a pensar. E no que resulta essa imbecilidade? Em sofrimento. Dor. Nossa razão tira férias e fica, de longe, dando risadas dos pobres mortais que tentam uma coisa tão perigosa dessas.
Eu costumo dizer que quando estou gostando de alguém eu fico burra. Sou capaz de fazer bizarrices pela pessoa. Não me satisfaço com um 'não' e vou aonde for preciso para conseguir ouvir o cidadão dizer um 'sim'. Páro ônibus. Saio de casa no meio da noite procurando por ele. Acho tudo lindo e, em alguns casos, acabo me anulando para satisfazer a vontade alheia. Ou seja...BURRA.
Então, como minha mãe mesma diz - e mães não mentem - no momento, eu me encontro normal. Meu coração está PULSANDO e não PENSANDO. Meu cérebro não está de férias e minha razão não fica rindo de mim.
Não sei quanto tempo eu permanecerei normal. Quero ficar burra. Depois normal...burra, normal, burra, normal...e quando eu estiver bem velhinha, quase partindo dessa pra melhor, quero estar invariavelmente e completamente BURRA! ;)

P.S: "Eu eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que não sei o que é. Dessa coisa que talvez seja amor." (Tati B.)

domingo, 23 de maio de 2010

Resumo do dia - parte VI.

"Quando tudo se rasga, quem costura sou eu. Dou conta. Se amanhã eu acordar e resolver amar pra caralho, eu amo. Ele, você, outro. Ponto. Que venha a mim todo o amor que houver nessa vida, o tempo inteiro. Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim." (Jaya)

P.S: Dessa minha vida, quem sofre as consequências bizarras das minhas atitudes sou eu. Por isso, faço o que me dá na telha. Sumo quando quero sumir e corro atrás quando decido que é disso que eu preciso. Como na música: "se conselho fosse bom tu vendia"!!!! ;)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu não sou transparente.

Quando eu era pequena, me lembro de ter tido aula de 'educação religiosa' e a professora sempre nos dizer que precisávamos ser "vasos transparentes", que era feio esconder as coisas e que nossa vida deveria ser, sempre, um livro aberto. Eu juro que eu tentava. Tentava dizer tudo que pensava, não esconder nenhum gesto ou atitude que eu pudesse fazer. E confesso que durante alguns poucos anos eu consegui. Mas a medida que eu fui crescendo, foi ficando cada vez mais difícil contar tudo a todos toda hora. Senti necessidade de começar a escrever o que eu sentia. Nesse meio tempo, tive vários diários, agendas, cadernos com 'não mexa' em letras garrafais. Escrevia durante dois ou três...dias e depois parava. Minha mão doía e eu nunca conseguia colocar tudo que eu sentia no papel.
Foi aí que eu decidi criar um lugar na minha mente onde eu guardaria meus segredos. A princípio, era uma salinha branca, arejada, com janelas - ? - poucas gavetas, uma mesinha e alguns papéis. Era ali que eu guardaria coisas que não pretendia expor a ninguém.
Sempre gostei do silêncio. Muito barulho pra quê, afinal? Gosto de guardar segredos, principalmente quando são os MEUS segredos. Sou reservada, individualista. Você não vai me conhecer por completo se baseando pelas coisas que eu digo, somente. Sou muito mais do que minhas próprias palavras. Não gosto de gritos, de confusão. Sou daquelas que fazem tudo para não entrar numa briga e, quando nela, fazem de tudo pra sair.
E sabe aquela salinha que eu disse ter criado quando mais nova? Pois bem...se tornou uma sala escura, cheia de prateleiras, caixas e amontoados de papéis. Guardo muita coisa. Pensamentos que eu não exponho, atitudes que eu não tomei ou mesmo as que eu tive a coragem de fazer, mas logo em seguida me arrependi. Não conto nada nem sob tortura.
Tudo bem. Agora eu me pergunto: 'por que estou escrevendo sobre isso?'. Porque eu quero deixar bem claro que ninguém conhece o que se passa, de fato, dentro de mim. Não sou tão comum quanto minha aparência 'diz' ser. Um sentimento pode ser extremamente importante pra mim e eu posso não contá-lo a ninguém. E não..ele não se torna menos importante por isso. Minha vida não é um livro aberto e nem um tema de novela mexicana pra ficar zanzando por aí.
Como dizia o poeta: "uma mulher que não tem mistérios, a muito perdeu seu encanto!"

domingo, 16 de maio de 2010

Momento Novo.

Tenho que admitir. Nunca me senti tão bem em toda minha vida. Tão livre, tão leve, tão solta. Tão despreocupadamente desprendida - o que é isso? - sinto como se uma nova mulher estivesse começando a viver em mim. Na verdade, essa sou eu desde sempre. O fato é que eu nunca consegui 'botar pra fora' esse meu lado diferente.
Sempre estive com alguém. Desde muito nova achei que relacionamentos eram eternos. Acabou que eu terminava um e entrava em outro. Se engana quem pensa que não havia amor, pelo contrário. Amei muito. Sofri muito. Fui muito feliz na maioria deles, mas sempre achei que faltava alguma coisa.
E agora cá estou eu, vendo que o que realmente faltava era minha independência. Minha liberdade. Diria até, minha aceitação. Há quem diga que para ser amada é preciso se amar primeiro. Pois bem, eu estou completamente apaixonada por mim. Não pela garotinha de antes, mas pela mulher que eu me transformei e me transformo a cada dia. Cada detalhe, cada deslize, cada errinho bobo me fez crescer e aparecer. Posso afirmar que estou muito melhor hoje do que a uns três anos atrás.
Quem diria, hein?! Eu mesma não acreditaria se me falassem que eu poderia me sentir tão bem. Só vendo pra crer. E aconteceu. Superei as perdas. Tampei as feridas. Exclui da minha vida quem me fazia mal. Levantei a cabeça e me tornei egoísta. Sim, sim. Hoje em dia eu penso muito mais em mim do que em qualquer outra pessoa por aí. Faço o que tenho vontade. Dou valor a quem merece e descarto, sem dó, quem não merece o chão que pisa. E pasmem: existe mais gente 'desmerecedora' do que as que merecem, de fato.
Aprendi a ter mais paciência. Vi que as coisas, quando são pra acontecer, acontecem. Ainda que demorem um, dois...mil anos, um dia elas chegam. Tenho olhos mais maliciosos. Hoje não é qualquer pessoa que me enrola.
Meu coração continua grande e bobo. O que mudou foi os ocupantes que nele estão. Cidadãos selecionados. Gente que faz com que eu me sinta feliz. De bem com a vida. Em paz!

P.S: "Eu sou estranhamente feliz. Completamente maluca. Inteligentemente nerd. Metade mulher, metade muleca...e ainda gosto de sorvete com batata frita. Vais me amar?" (autor desconhecido). :)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Resumo do Dia - parte V.

"Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida como quem brinca, somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Não espere. Promessas vão e vem. Planos se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só." (autor desconhecido).

P.S: Continuo com a vontade de fugir pra bem longe. Mas esssa vontade está sendo substituída pela vontade de fazer coisas inesperadas e avulsas. Vai entender, né?! :)