Não sou daquele tipo de pessoa paciente. Não gosto nem nunca gostei de esperar. Não consigo esperar o esmalte secar quando faço a unha. Detesto esperar o pão de queijo assar. A coca-cola gelar. Me irrito esperando minha mãe me buscar, até porque ela sempre diz que 'está chegando' sendo que nem saiu do lugar ainda. Não gosto de esperar meu salário no mês seguinte. Esperar uma roupa ficar pronta na costureira. Fico impaciente quando quero ver um filme e passa um milhão e meio de 'traillers'. Esperar chegar o final de semana é uma tortura pra mim.Enfim, não gosto de esperar e ponto final. Sou imediatista. Minhas mãos coçam e meus pés deixam transparecer o quão ansiosa estou. Mesmo que eu sempre deixe bem claro que 'o tempo é o melhor dos remédios', esperar esse tal tempo passar, pra mim, é um verdadeiro martírio. Não quero dar 'tempo ao tempo'. Não quero esperar pra ver o que o destino - sempre ele - tem a me oferecer.
"Calma Flávia, seja paciente. Se for pra acontecer, vai acontecer". Nossa, se você tiver amor à vida JAMAIS me diga uma coisa dessas. MeuDeus. Que coisa mais irritante querer algo e ter que esperar pra ver se um dia ele virá.
Não fui feita pra ser uma boa moça paciente. Ainda que a experiência tenha me mostrado que a melhor forma de superar algo seja deixar o tempo passar, eu nunca engoli muito bem isso. Esperar esfria. Distancia. Faz com que as coisas caiam no esquecimento. Pra mim, não há nada melhor do que deixar acontecer na hora que se quer. Tem mais calor. Faz mais sentido. Não gosto de ficar protelando a felicidade. O êxtase. As boas sensações.
Talvez eu tenha mesmo cansado da minha vida 'solitária'. Não vou negar que sinto falta daquele abraço apertado depois de um dia cansativo. De pés esquentando os meus quando sinto frio. De músicas que fazem sentido. De dias ensolarados que ficam ainda mais bonitos quando temos alguém com quem compartilhar. Sinto falta de ficar horas a fio no telefone falando besteiras e enrolando na hora de desligar. Até de brigas sem motivos eu sinto saudades. De gritar. Perder as estribeiras e logo depois, pedir desculpas com aquela voz trêmula e rir do que se passou.
Pra quem quer saber, eu estou muito bem, obrigada. Não vou ser menos feliz por me encontrar sozinha, no momento. Mas chega uma hora que cansa. Ainda mais em se tratando de mim, que canso das coisas com uma facilidade espantosa. Minha independência já foi conquistada e isso ninguém tira de mim. Agora só falta a companhia. A boa e velha companhia. :)
P.S: "Eu sofro de mimfobia. Tenho medo de mim mesmo. Mas me enfrento todo dia." ( Millor Fernandes). O que há de se fazer, né?
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