Segunda-feira eu tirei os pontos da pequena cirurgia que fiz no olho. Deu tudo certo e blábláblá. Pode parecer uma bobagem eu contar isso, mas é que teve um 'ponto' interessante nessa ocasião. Enquanto eu estava deitada na maca esperando pelo médico - lindo! - vir retirar aquelas 'trancinhas' na minha vista, minha mãe, que estava sentava coçando meus pés gelados, virou pra mim e disse: 'você não gosta de ninguém'. Eu parei, pensei e respondi: 'sim, eu não gosto de ninguém, só de você'.Brincadeiras à parte, aquela constatação da minha mãe é verdadeira. No momento, eu não gosto de ninguém. Gostar dá trabalho. A gente fica pensando na pessoa 25 horas por dia. Fica triste quando o cidadão não telefona, não manda mensagem, não passa na sua casa pra te dar um mísero abraço. Gostar requer muita paciência. Compreensão. Carinho. Chamego. Coisas que eu, sinceramente, não estou afim de dar/fazer por ninguém. Pelo menos não agora.
Quando estamos envolvidos com uma pessoa, nosso cérebro sai de cena e dá espaço para um órgão que NÃO foi feito para PENSAR. O coração. Estamos redondamente enganados ao pensar que o 'coração manda' em alguma coisa. Sim sim. O coração não foi feito pra pensar, para nos dar ordens. Ele foi feito para pulsar e, em alguns casos, guardar pessoas queridas. Mas quando amamos, obrigamos o coitado do coração a pensar. E no que resulta essa imbecilidade? Em sofrimento. Dor. Nossa razão tira férias e fica, de longe, dando risadas dos pobres mortais que tentam uma coisa tão perigosa dessas.
Eu costumo dizer que quando estou gostando de alguém eu fico burra. Sou capaz de fazer bizarrices pela pessoa. Não me satisfaço com um 'não' e vou aonde for preciso para conseguir ouvir o cidadão dizer um 'sim'. Páro ônibus. Saio de casa no meio da noite procurando por ele. Acho tudo lindo e, em alguns casos, acabo me anulando para satisfazer a vontade alheia. Ou seja...BURRA.
Então, como minha mãe mesma diz - e mães não mentem - no momento, eu me encontro normal. Meu coração está PULSANDO e não PENSANDO. Meu cérebro não está de férias e minha razão não fica rindo de mim.
Não sei quanto tempo eu permanecerei normal. Quero ficar burra. Depois normal...burra, normal, burra, normal...e quando eu estiver bem velhinha, quase partindo dessa pra melhor, quero estar invariavelmente e completamente BURRA! ;)
P.S: "Eu eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que não sei o que é. Dessa coisa que talvez seja amor." (Tati B.)
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