segunda-feira, 22 de março de 2010

Direito na Vida Real.

Muita coisa tem acontecido comigo ultimamente. Algumas boas, outras ruins. O fato é que minha existência nunca foi um marasmo qualquer. Sempre tenho novidades pra contar. Coisas estranhas para compartilhar e motivos, de sobra, para rir e chorar. E, mesmo com um turbilhão de coisas em um só dia, eu acho tempo pra pensar. Aliás, eu penso DEMAIS. Muito mesmo. A algum tempo eu achava que isso era um defeito. Sei lá, um problema hormonal, com minhas células do neurônio. Mas alguma coisa estava errada comigo. Eu consigo pensar um monte de coisas em um só segundo. Penso coisa boa e logo depois estou pensando numa bem ruim. Em menos de um minuto, já se passaram pela minha cabeça quase que o pensamento de um só dia de uma pessoa considerada normal. Ás vezes, eu até chego parecer uma pessoa altista. Eu me envolvo de uma tal maneira em meus devaneios que posso ficar um longo tempo em silêncio, mesmo que dentro de mim esteja quase que uma rebelião.
Para comprovar isso, eu tenho um bom exemplo que me ocorreu ainda hoje. No meio da minha aula de Direito Ambiental - diga-se de passagem que é uma aula que eu ADORO - o professor estava explicando que ' a pessoa que causa um dano à alguém, tem o dever de ressarcir o indivíduo prejudicado', a isso damos o nome de Responsabilidade Civil. É certo que não precisamos ter aula de direito ambienatal para aprendermos uma coisa tão óbvia dessa, né? Afinal de contas, desde crianças que somos programados a 'pedir desculpas' quando deixamos alguém triste, ou mesmo comprar um lápis novo se quebramos o do coleguinha. Mas hoje esse ensinamento tão antigo me fez pensar - pra variar.
Então se é desse jeito, se quem causa um prejuízo tem o dever de reparar o dano, eu quero exigir meus direitos. Quero indenização. Perdas e danos. Eu quero um coração novinho em folha. Tudo bem que o tal do coração não é um 'bem juridicamente tutelado', mas deveria ser. Poxa, quando um cidadão está sentimentalmente machucado, todos os outros setores de sua vida são prejudicados. No trabalho, no convívio social, nos estudos. Então, por que não tutelar o coitado do nosso coração? Seria uma forma de proteger. Uma forma de prevenção.
Sei que posso estar parecendo uma maluca ao misturar coisas do Direito com a minha vida sentimental, mas é exatamente disso que eu falava anteriormente. Em meio a minha aula eu pensava nessas coisas. E a cada explicação do professor sobre a Responsabilidade Civil, eu imaginava uma forma de pedir que reparassem o prejuízo em mim causado. Precisa-se de provas? Bom, eu não tenho tido vontade de comer. Não tenho vontade de estudar. De me inscrever no concurso que meu pai tanto quer que eu faça. Não tenho ânimo pra trabalhar, de levantar cedo pela manhã e esperar a porcaria da van. Respirar então? Só faço porque é necessário. Tô sem paciência com as pessoas e toda vez que alguém fala qualquer coisa que seja comigo, eu tenho vontade de chorar. Quer mais ou já tá bom?
E tudo isso, meus caros...me faz merecedora de uma pompuda indenização. E, quem sabe até, de um coração zero quilômetro. Portanto, eu levanto a bandeira: VAMOS FAZER DO CORAÇÃO UM BEM JURIDICAMENTE TUTELADO!
"Ser herói é ter um sorriso nos lábios, quando se está com o coração despedaçado pela dor." (autor desconhecido)

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