Que minha família é maluca, eu sei. Desde que nasci. Que as - poucas - amigas que tenho são surtadas, também já sabia. Mas que eu amo muito toda essa insanidade, isso é novidade pra mim.Na madrugada, isso mesmo, MADRUGADA de segunda-feira pude perceber o quanto eu gosto de certas maluquices. Estava deitada na cama alta da minha avó, não querendo ter de abrir os olhos e encarar uma viagem às 7:00 da manhã, quando ouço ela e meu avô conversando e fazendo meu café da manhã - que gracinhas!!! Posso ouvi-los falando de remédios, médicos, pãos e camundongos. Camundongos?! Minha avó diz que não quis falar perto de mim, mas viu um pequeno ratinho na casa. Meus olhos se abriram instantaneamente e eu dei um pulo da cama. Ainda estava escuro, coloquei meus chinelos, peguei meu casaco e fui ao encontro deles na cozinha. A mesa estava posta e eu sentei para tomar o café que os dois prepararam com tando carinho. Até aí tudo bem. Até que...eu olhei pro lado e vi. Eu vi o tal 'ratinho' zanzando perto do banheiro. Pra que? Eu gritei, subi na cadeira, surtei. Meu avô prontamente pegou uma vassoura e disse que iria matá-lo. Eu corri para o quarto em que dormi com minha avó atrás carregando meus chinelos que não tive tempo de calçar. O final disso é que meu avô NÃO matou o rato, disse que matou para me acalmar e eu acabei vendo o bonito, de novo, depois. Eca!
O que ficou dessa situação foi que até na loucura a gente se ama e se entende. Apesar do rato e de ser ainda madrugada, eu amei estar ali com eles. Um querendo falar mais alto que o outro. Meu avô e sua vassoura. Minha avó e suas reclamações de que eu sou muito 'mole'. Adorei.
Por alguns instantes eu esqueci a prova que fiz no dia anterior, esqueci o rapaz que eu tanto gosto e que me tratou tão 'amigavelmente' ao telefone quando eu liguei. Esqueci da viagem de volta. Da chatice da semana que estava pra começar.
Gosto de coisas simples. Gosto da minha família e da loucura que ela representa. Das minhas amigas e das coisas que elas falam na cara. Das minhas primas e da mongolice que sai quando estamos juntas. Sou muito feliz de ter todas essas pessoinhas ao meu lado. Afinal, com essa galera eu não preciso ficar o tempo todo sorrindo e tentando agradar. Não me presto ao papel de ligar e ser tratada como qualquer uma. Não preciso ficar esperando o telefone tocar nem ter que ouvir a 'mentirinha' de um projeto de fim de semana.
De tudo isso, uma coisa é certa: algumas coisas são realmente importantes. Ainda que não nos façam feliz sempre, são importantes e nos preenchem. Diferentemente de outras coisas que, achamos nos fazer feliz, mas que nos traz mais preocupações e dor de cabeça do que alegria de fato. Pense nisso. O que é importante pra você?





